A deficiência auditiva na Coreia

Sabemos que, em qualquer país, a comunidade de deficientes de uma forma geral (físicos e os demais), muitas vezes não tem a devida inclusão na sociedade. Decidi trazer hoje uma pouco sobre a comunidade de surdos na Coreia e como funciona a KSL (Língua de Sinais Coreana).

Lembrando que, assim como em diferentes países são falados diferentes idiomas, a língua de sinais também varia de país pra país.




Uma história breve da KSL (Korean Sign Language).


A Língua de Sinais Coreana (KSL), ou, em coreano 한국 수화 언어, é uma das 2 línguas oficiais da Coreia desde que recebeu o reconhecimento oficial no final de 2015 do Ministério da Saúde e Bem-Estar e do Instituto de Língua Coreana.

A designação ocorreu após a Assembleia Nacional em Seul, em dezembro de 2015, aprovar o Ato Básico da Língua de Sinais Coreana, que tem quatro pontos principais e 20 artigos sobre apoio, geração de conhecimento, realização de pesquisas e igualdade de oportunidades para todos os cidadãos, sejam eles deficientes auditivos ou não. .

O movimento para ajudar os deficientes auditivos na Coreia começou no final de 1889 com a abertura do primeiro centro educacional do país para pessoas com deficiência. No entanto, a pesquisa e a formação de grupos de estudos semiformais não começaram até o início de 2000, e só em 2008 surgiu a ideia de uma lei para proteger os deficientes auditivos.

Como qualquer nação, a Coreia precisava ajudar e apoiar sua comunidade surda, já que os centros de educação, aprendizado e entretenimento e as oportunidades de trabalho para deficientes auditivos eram limitados e, em muitos casos, inexistentes. Isso levou à fundação da Associação Coreana de Surdos para defender as cerca de 350.000 pessoas com deficiência auditiva no país (apesar de que, assim como muitos países, os dados raramente levam em conta CODAs¹ e outros usuários). No total, há, aproximadamente, 1,6 milhões de pessoas deficientes auditivas (perda total ou parcial).

As duas principais conquistas da lei foram o reconhecimento legal da KSL como uma das duas línguas oficiais do país e o direito de todo cidadão a ter oportunidades educacionais, recreativas, culturais e religiosas, com deficiência auditiva ou não.

O governo, consequentemente, procurou implementar a lei fornecendo orçamento, treinamento, locais e tradução e interpretação quando necessário.

A primeira escola para surdos na Coreia apareceu em 1° de Abril de 1913, em Seoul, e foi nomeada, primeiramente, como "Escola Nacional para Surdos", em 1945, para, mais tarde, ser renomeada para "Escola para Surdos de Seoul", em 1951.

Hoje, a Coreia tem universidades que ensinam disciplinas inteiramente em KSL e são dedicadas ao treinamento de professores de KSL, como a Korean National University of Welfare. Um mestrado em linguagem de sinais é oferecido e programas separados ensinam a aquisição e o aprimoramento da KSL desde o início da vida.

A alfabetização em KSL cresceu exponencialmente na Coreia, mas muito trabalho e melhorias são necessários neste setor de bem-estar social jovem, mas florescente.


Origem da KSL:


Apesar da Língua de Sinais Coreana anteceder o período colonial japonês, a língua desenvolveu alguns pontos em comuns com a gramática da Língua de Sinais Japonesa (JSL) na época da ocupação japonesa na Coreia. A KSL é considerada da mesma família da JSL.


A inserção da tradução para KSL na sociedade:


A Lei da Língua de Sinais Coreana foi adotada em fevereiro de 2016, a qual colocou a língua de sinais em igualdade com a língua coreana e estipulou a exigência de que governos locais e nacionais fornecessem tradução para KSL para quem necessitasse.


Programas de ensino da língua de sinais:


Existem dois programas educacionais para intérprete de língua de sinais, sendo um deles o programa de bacharel na Korean Nazarean University. Futuros intérpretes também podem participar de agências fundadas pelo governo, como a Academia de Seoul para a Educação de Língua de Sinais.


Certificados:


Intérpretes devem cumprir duas legislações: a Lei da Discriminação e Recursos para Pessoas com Deficiência e a Lei do Bem-Estar para Pessoas com Deficiência.

Os intérpretes são certificados através de um teste emitido pelo governo (disponível desde 2004) ou através do teste da Associação de Surdos: Teste para a Elegibilidade de Intérprete (disponível desde 1997).


Elementos:


Na língua de sinais, elementos como franzir e levantar as sobrancelhas, franzir a testa, movimentos com a cabeça e inclinar/deslocar o tronco são tão importantes para a compreensão das palavras como os sinais feitos com as mãos. De forma geral, isso se aplica em praticamente todas as línguas de sinais do mundo (se não todas).


Por que é importante aprender língua de sinais?:


A todo momento nas mídias sociais vemos falar sobre a inclusão de todas as pessoas na sociedade, e isso definitivamente inclui deficientes visuais, auditivos, físicos, entre outros.

Imagine-se no lugar de uma pessoa surda: possui uma barreira línguistica enorme, isso sem contar, muitas vezes, o preconceito e a falta de paciência das pessoas com elas. Agora imagina você chegar em um lugar e encontrar alguém que possa te auxiliar, se comunicar com você no mesmo idioma. Dever ser uma sensação incrível, até aliviante!

Se imaginar esse cenário é muito difícil, apenas imagine alguém, por algum motivo, te deixando em um país em que você não sabe nem o básico do idioma/cultura e precisa sobreviver ali apartir daquele momento. E imagine como seria encontrar uma pessoa que falasse o mesmo idioma que você e soubesse o idioma daquele país. Assim também funciona para pessoas com deficiência auditiva.

A importância está no quanto você se dedica ao outro, no quão empático você pode ser. É através da língua de sinais que uma pessoa surda se integra na sociedade, constrói sua identidade e exerce sua cidadania. Aprender língua de sinais é dar novas oportunidades ao seu desenvolvimento como humano e também ajudar alguém que necessita. Isso, claro, além de poder criar até um novo hobby, fazer novos amigos e poder até trabalhar com isso no futuro. Só vi vantagens.



Filmes/drama que possuem KSL:


Em Silêncio (도가니 - disponível na Netflix):

O filme se baseia em uma história real que aconteceu em um "dormitório" para crianças surdas na Coreia, e aborda assuntos super sensíveis (apesar de necesários). Temos Gong Yoo (공유) no papel principal, e, pra quem já conhece outros trabalhos dele, não preciso nem falar que é impecável.

Minha opinião: Por experiência própria, é um filme que, pra maioria, é super chocante. Por isso, aconselho a não assistir se forem sensíveis a conteúdos mais fortes, já que possui muitos gatilhos, principalmente por ter sido baseado em uma história real. De verdade, é algo que, por não estar próximo da realidade da maioria de nós, é extremamente difícil e assustador pensar que são coisas que acontece com mais frequência do que pensamos. Pra quem assiste conteúdos sensíveis e com carga emocional alta com mais facilidade, eu SUPER recomendo esse filme. Particularmente, é um filme que ficou marcado em mim, e arrisco a dizer que um dos meus favoritos, apesar de não tratar de um assunto fácil de absorver. Infelizmente não parece ter tanto reconhecimento na mídia cinematográfica em geral, mas é um filme necessário até para o nosso crescimento como ser-humano.


GLove (글러브):

"G-Love" gira em torno de uma jogadora de beisebol (Jung Jae-Young), uma professora

de escola (interpretada por Yu-Seon), e um grupo de jogadores de beisebol do ensino médio surdos. Amizade e amor são explorados no filme, situado dentro de um cenário rural.

Sang-Nam (Jung Jae-Young) encontra seu nome mais na mídia nos dias de hoje por seu comportamento grosseiro. O último envolve Sang-Nam envolvido em uma briga de bêbados e balançando um taco de beisebol. Seu agente Charles (Jo Jin-Ung) então aconselha Sang-Nam a aceitar um emprego treinando uma equipe de jogadores com deficiência auditiva em uma escola rural para ajudar a reconstruir sua imagem, Sang-Nam chega na escola com os meninos dando-lhe as boas vindas de braços abertos, mas Sang-Nam está menos entusiasmado com seu novo show. Os meninos nunca ganharam um jogo, há apenas 10 jogadores (com 1 arremessador disponível) e Sang-Nam não sabe como treinar uma equipe que não pode ouvir. Há também a Sra. Na (Yoo-Sun) que trabalha como professora de música e gerente de beisebol. Ela é ultra protetora dos meninos e castiga Sang-Nam por sua atitude condescendente. Sang-Nam já se perguntando quando ele pode voltar para a liga profissional está contando seus dias até que ele possa voltar para os gêmeos LG. Então algo acontece.

Sang-Nam e as crianças começam a formar uma ligação genuína. Logo, Sang-Nam se vê energizado pela pureza das crianças e começa a fazer um esforço sincero na preparação da equipe para os nacionais.

Notas: "Glove" é baseado na história real da equipe de beisebol Chungju Sung-Shim,

localizada na cidade de Chungju (충주), província de Chungcheong do Norte (충청북도). A equipe de beisebol da escola começou em setembro de 2002 e consistia de 25 jogadores que eram surdos.

As filmagens começaram em junho de 2010 e terminaram em 10 de novembro de 2010. A última cena ocorreu no Condado de Muju (무주군), província de Jeolla do Norte (전라북도).


18 vs 29:

Yoo Hye-chan ( Park Sun-young ) é uma dona de casa de 29 anos de idade, que está infeliz em seu casamento com a popular estrela Kang Sang-young ( Ryu Soo-young ). Mas por um travessura do destino, um acidente de carro muda drasticamente sua vida, quando estava a caminho do tribunal para sua audiência de divórcio. Embora sua recuperação física seja boa, quando ela acorda no hospital, descobre-se que ela tem amnésia retrógrada, e não tem nenhuma lembrança de sua vida depois de seus 18 anos de idade. Muito menos que está


casada com Kang Bong-man, o garoto mais popular da escola e apelidado de "Ice Prince," que foi conhecido como seu inimigo no ensino médio. Seu marido tenta apoiá-la desde que ela basicamente não passa de uma adolescente impotente agora, pelo menos em sua cabeça. Mas será que enquanto ela luta para recuperar sua memória, ela também começara a recuperar seu relacionamento com o marido, se apaixonará por ele novamente? E o que ela irá aprontar tendo uma mente adolescente em um corpo de mulher adulta?




Caso vocês queiram mais informações sobre o assunto e exemplos em vídeo (mostrando o posicionamento de pessoas surdas) dos tópicos citados a cima (o vídeo está em inglês): https://www.youtube.com/watch?v=8zQ7R25kF3Q&t=585s


1: Codas são crianças ou adultos filhos de pais surdos. Esses sujeitos estão naturalmente expostos a dois mundos diversos: o mundo dos surdos e o mundo dos ouvintes. Os codas compartilham a experiência de crescerem em famílias que utilizam uma língua de herança


em casa que é, muitas vezes, diferente daquela utilizada fora do ambiente familiar, na maioria da sociedade. Podemos chamá-los de bilíngues, pois os codas transitam desde muito cedo nesses dois mundos e aprendem as línguas desses dois ambientes linguísticos.

 

Fontes: https://www.korea.net/NewsFocus/HonoraryReporters/view?articleId=199389

https://wp.ufpel.edu.br/tesouro-linguistico/2020/11/09/ser-coda-voce-sabe-o-que-isso-significa/

https://asianwiki.com/GLove

https://doramassinps.blogspot.com/2015/04/18-vs-29.html


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